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Corrupção

Abusos no uso de cartão corporativo nos EUA

Imagem do artigo (10/Abr/2008) A farra dos cartões corporativos também atinge o governo dos Estados Unidos. Enquanto no Brasil os cartões foram usados para compra de tapioca e produtos em free shop, nos Estados Unidos os funcionários do governo usaram os cartões para comprar iPods e lingerie e para pagar por serviços amorosos online, manicures e um jantar de US$ 13 mil.

Uma investigação do Escritório de Responsabilidade do Governo dos EUA, divulgada ontem, revela que 41% das transações efetuadas com cartões corporativos do governo são irregulares. Segundo o relatório do escritório, a incidência de irregularidades com os cartões é "muito alta, inaceitável".

A pedido do comitê de assuntos governamentais e segurança da nação do Senado, a agência analisou uma amostra de transações feitas com cartões corporativos entre 1º de julho de 2005 e 30 de junho de 2006.

O mecanismo foi usado por 300 mil funcionários do governo em 2007, na maioria das vezes para compras abaixo de US$ 2.500, mas houve também gastos maiores, com contratos, por exemplo.

"Dinheiro que deveria ser investido em educação, infra-estrutura e segurança está sendo usado para comprar iPod, lingerie e socializar", disse o senador Norm Coleman, um dos legisladores que requisitaram o relatório. "Muitos funcionários do governo encaram os cartões corporativos como suas linhas de crédito pessoal; está na hora de tirar o cartão deles", defende.

Abusos

Em uma das fraudes relatadas, um funcionário do serviço de correios usou o cartão corporativo para pagar por 15 meses de assinatura em dois sites de namoro pela internet, em um total de US$ 1.100. O funcionário foi obrigado a restituir o valor, mas não sofreu nenhuma outra punição.

Em outro caso, o serviço de correios usou cartões para custear um jantar de cinco horas para 81 pessoas. Foram servidos caranguejos, frutos do mar, carne, 200 aperitivos e mais de US$ 3 mil em bebidas alcoólicas. O jantar saiu por US$ 13.500 (US$ 160 por pessoa).

Outro gasto contestado foi a compra de lingeries por um funcionário do Departamento de Estado, na Boutique Seduccion. Segundo explicou o funcionário, a lingerie foi usada durante treinamento na selva de um programa de combate às drogas no Equador. A necessidade de tal compra foi questionada.

Uma funcionária do departamento de serviços florestais da Secretaria de Agricultura gastou US$ 642 mil no cartão ilegalmente ao longo de seis anos. Ela foi condenada a 21 meses de prisão e restituição integral dos recursos. Outros pessoas torraram US$ 77 mil em ternos da refinada Brooks Brothers, enquanto uma funcionária gastou US$ 1.800 em manicures e maquiagens da marca MAC.

No relatório, o escritório faz uma série de recomendações para coibir abusos no uso dos cartões, como multas para compras não autorizadas e uso apenas com pré-autorização para gastos acima de um determinado valor. O texto, porém, faz a ressalva de que o programa de cartões corporativos tem facilitado as compras do Estado e gerou economias anuais de US$ 1,8 bilhão com redução de custos administrativos.


Fonte: Estado de São Paulo

Por: Artigo 19 em: Qui 10 de Abr, 2008 15:10 (1645 leituras)

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